A Formiga:
A formiga é minúscula.
Cabe em qualquer ladinho,em qualquer cantinho,
em qualquer desvão.
Cabe em qualquer centímentro,qualquer milímetro,
de qualquer chão.
Mas para falar de uma formiga,
não posso usar apenas uma palavra
ou um verso de poema.
Preciso até pensar.
Há formigas em qualquer lugar do mundo,
e houve formigas em todas as épocas.
Hoje elas passam pelas paredes e pelos pés e pelas mãos,
mas já passaram ao lado dos gigantes dinossauros.
Na formiga cabe o medo,a precaução,a coragem.
Ela carrega as folhas e os grãos que encontra pelo caminho,
carrega sozinha o grão de seu tamanho,a folha ainda
maior.
Na formiga cabe compaixão.
Ela carrega a outra formiga.
Não minto: eu vi.
Ao invés de pegar uma folha que lhe alimentaria,
carregava uma formiga.
Na formiga cabe uma sabedoria estranha.
A formiga é minúscula mas sabe que se não correr,morre
Se não carregar folhas,morre
Se não carregar a outra formiga,esta irá morrer.
As formigas não cabem em uma palavra:
Formiga é mais que dedicação.
As formigas não cabem em um verso:
Não pode-se dizer apenas:
"A formiga carrega a outra formiga".
Carrega a folha,o grão,muito mais.
A formiga vive: Carrega consigo a vida e seu mistério.
As formigas não cabem em um poema,
são mais do que se possa pensar e escrever.
As formigas minúsculas cabem no mundo
e seus vãos,
mas o mundo e os seus vãos
também não cabem nos poemas.


